sábado, 19 de setembro de 2009

ABEBE OXUM



ABEBÉ OXUM

Uso nos terreiros:

Possui dois tipos, aquelas que medram em lugar seco, atribuída a Xango normalmente o talo da folhas são avermelhados. As que nascem dentro da água, atribuída a Oxum, cuja folha e talo são verdes.
Folha de fundamento na iniciação de pessoas de Xangô, pois não pode faltar no àgbo e nos fundamentos da iniciação.

Uso em Ifá; Sem citação

Nome popular: Erva-capitão
Nome latino: Hydrocotyle bonariensis Lam., Umbeliferae.
Origem: América tropical ocorrendo na África do Sul.

ÀBÁMODÁ


ÀBÁMODÁ

Uso nos terreiros:

Àgbo, banhos e trabalhos para adquirir prosperidade, sacralização dos objetos

rituais dos orixás, lavagem dos búzios utilizados nos jogos divinatórios e para assentar Èxù de mercado.

Folha eró (calmante) usada para todos os orixás pois, serve para que um desejo seja realizado, atrai prosperidade e dinheiro.

Com o nome de erú odúndún “escravo de odúndún” torna-se substituta eventual da folha odúndún Saião (Kalanchoe brasiliensis Camb.)

Segundo Verger (1967:10), àbámodá significa “Eu faço uma proposta”. Todavia, Dalziel (1948:28) traduz como “o que você deseja, você faz”, e Barros (1993/108) como “milagre eu faço”.

Uso em Ifá:

Do odu Èjìogbè em “receita para tratar doença que causa bolhas e tremores no corpo” (Verger 1995:149) e “trabalho para ter a pele sempre boa” (Verger 1995:365).

Do odú Òsé òwónrín em “receita de calmante” (Verger 1995:251)

Ofó do odu Èjìogbè (Verger 1967:10-11) em trabalhos para se obter dinheiro e prosperidade.

Àbámodá àbá mi kò se àìse

Àbá ti alágemo bá dá,

L’òrìsà Okè ngbà

Mo dá àbá owo

Àbámodá minha aspiração é de ser perfeito

Òrìsà Okè aceite as aspirações do camaleão

Eu desejo dinheiro

Outros nomes yorubá: kantíkantí, kóropon e erú òdúndún. (Verger 1995:641)

Nome popular: Folha-da-fortuna, fortuna, milagre-de-são-joaquim,

Nome latino: Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken., Crassulaceae

Origem: Ásia tropical.

ABÀFÉ ILÉ


ABÀFÉ ILÉ

Uso nos terreiros:

Desconhecida. Seu nome significa “Pequeno chapéu da terra”. Como chapéu é um objeto que tem por finalidade proteger a cabeça, tal termo aplicado a folha dá a idéia de proteção, sugerindo que seu uso tem por finalidade proteger contra negativismos.

Uso em Ifá:

Apenas citada (Verger 1995:646)

Outros nomes yorùbá: Rekùrekù abàfé e Olúgboró kànràn (Verger 1995:646)
Nome popular: Fedegoso
Nome latino: Chamaecrista rotundifolia (Pers.) Greene, Leguminosae-Caesalpinioideae.
Origem: América tropical

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ABÀFÉ


ABÀFÉ



Uso nos terreiros:

No àgbo, banhos, sacudimento e trabalhos diversos.
Folha usada para Yemanjá (de flor branca) e para Oya (de flor rosa)
Seu nome significa “Pequeno chapéu” (Verger 1967:10).

Uso em Ifá:
Do odu Òfún ìwòrì em “trabalho para ter boa caça” (Verger 1995:335)
Do odu Òfún méjì em “trabalho para dominar alguém” (Verger 1995:345)
Do odú Okànràn méjì em “trabalho para prender um louco” (Verger 1995:383).
Do odu Osé ogbè em “proteção contra picada de cobra” (Verger 1995:447)
Do odu Okànràn ìwòrì em “proteção contra animais selvagens” (Verger 1995:449)
Ofó do odu Ìkáwòrì (Ìká Ìwòrì) (Verger 1967:10-11) em trabalho para confundir a mente de um inimigo e torna-lo incapaz de raciocinar.

T’ilekun mó o k’ó má le jade
Ìpanumó abàfé ba mi
T’ilëkun mó otá mi gbonyingbonyin

Fechar a porta permite à folha abàfé não se revelar
Abàfé nos permita fechar a porta firmemente ao meu inimigo.

Verger, (1967:11) classifica esta folha como Bauhinia Thoningii Schum., Caesalpinaceae. Todavia, em Ewé, ( Verger1995:708) ela está classificada como Piliostigma thonningii (Schumach.) Milne-Redh., Leguminosae-caesalpinioideae, o que pode ser uma sinonímia ou uma planta, da mesma família, substituída no Brasil.

Nome popular: a) Pata-de-vaca-de-flor-branca
b) Pata-de-vaca-de-flor-rosa
Nome latino: a) Bauhinia candicans Benth., Leguminosae-caesalpinioidea
b) Bauhinia purpurea L., Leguminosae-caesalpinioidea
Origem: Discutível, pode ser América do Sul, África ou Ásia.

POSTAGENS PERIÓDICAS


Todas as semanas estarei postando foto de folhas com suas finalidades no culto de Ifá e dos Orixás

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DOS VEGETAIS

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO DOS VEGETAIS

Da antiguidade, até o séc. XVIII, não existia um sistema oficial de classificação botânica. Vigorou por muito tempo a “Teoria das Assinaturas” ou “Doutrina das assinaturas”, que se baseava nas similitudes, segundo a qual a planta já traz na sua aparência o uso a que se destina. Como exemplo, algumas orquídeas, cujo bulbo lembra testículos, eram utilizadas para aumentar o apetite sexual do homem. O grão de café, que tem aparência de um pequeno cérebro, tinha a função de tonificar e ativar a memória.

“DOUTRINA DAS ASSINATURAS” SERÁ PURA COINCIDÊNCIA ?

Uma fatia de cenoura parece um olho humano. A pupila, íris e linhas raiadas são semelhantes ao olho humano e, a ciência agora mostra que a cenoura fortalece a circulação sanguínea e o funcionamento dos olhos.

Um tomate tem quatro câmaras e é vermelho. O coração é vermelho e têm quatro câmaras. Toda a investigação mostra que o tomate é de fato um puro alimento para o coração e circulação sanguínea.

As uvas crescem em cacho que tem a forma do coração. Cada uva assemelha-se a uma célula sanguínea e toda a investigação hoje em dia mostra que as uvas são também um alimento profundamente vitalizador para o coração e sangue.

Uma noz parece um pequeno cérebro, com hemisférios esquerdo e direito, cerebelos superiores e inferiores. Até as rugas e folhos de uma noz são semelhantes ao neocórtex. Agora sabemos que as nozes ajudam a desenvolver mais de 3 dúzias de neurotransmissores para o funcionamento do cérebro.

Os feijões realmente curam e ajudam a manter a função renal, são exatamente idênticos aos rins humanos.

O aipo, bok choy, ruibarbo e outros são idênticos a ossos.* Estes alimentos atingem especificamente a força dos ossos. Os ossos são compostos por 23% de sódio e estes alimentos têm 23% de sódio. Se não tiver sódio suficiente na sua dieta o organismo retira sódio dos ossos, deixando-os fracos. Estes alimentos reabastecem as necessidades do esqueleto.*

Berinjelas, abacates e pêras ajudam à saúde e funcionamento do ventre e do cervix feminino – eles são parecidos com estes órgãos. Atualmente a investigação mostra que quando uma mulher come um abacate por semana, equilibra os hormônios, não acumula gordura indesejada na gravidez e previne cancer cervicais. E que profundo é isto?... Demora exatamente 9 meses para cultivar um abacate da flor a fruta.

Figos estão cheios de sementes estão pendurados aos pares quando crescem. Os figos aumentam a mobilidade e aumentam os números do esperma masculino, assim como ajudam a ultrapassar a esterilidade masculina.

As batatas doces são idênticas ao pâncreas e de fato equilibram o índice glicêmico de diabéticos.

Azeitonas ajudam a saúde e funcionamento dos ovários.

Tangerinas, laranjas e outros citrinos assemelham-se às glândulas mamárias femininas e realmente ajudam à saúde das mamas e à circulação linfática, dentro e fora das mamas.

As cebolas parecem células do corpo. A investigação atual mostra que a cebola ajuda a limpar materiais excedentes de todas as células corporais. Até produzem lágrimas que lavam as camadas epiteliais dos olhos...

Existem mais de 14 000 componentes químicos fotolíticos em cada um destes alimentos. A ciência moderna apenas estudou e nomeou cerca de 141.

CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA A PARTIR DO SÉCULO 18.
No século XVIII, o naturalista sueco Carolus Linnaeus criou um sistema de classificação de vegetais binominal, que vigora até hoje e classifica a planta de uma ordem geral para a particular.
Divisão: Classe: Ordem:
1o Fanerógamos: Angiospermos (com frutos) Monocotiledôneas,Dicotiledôneas
Gimnospermos: (sem frutos)
2o Criptógamos: Pteridófitos - Filicíneas, Equissetínes, Licopodíneas
Briófitos - Musgos e Hepáticas
Talófitos - Fungos, algas, líquens, bactérias
Família: > Gênero: > Espécie
Exemplo, apartir de família: Ocimun gratissima L., Labiatae
Família: Labiatea > Gênero: Ocimun > Espécie: Ocimun gratissima > Classificador: L. (Linneu)
Obs: As unidades sistemáticas podem, ainda, ser subdivididas em sub-classe, super-ordem, variedades etc.

SISTEMA JEJE-NÀGÓ DE CLASSIFICÃO DOS VEGETAIS.

Osanyìn, o orixá patrono da vegetação e divindade das folhas litúrgicas e medicinais. É cultuado nos terreiros de Candomblé, principalmente, durante o processo iniciático quando banhos, atin (pós) e “descarrego” são feitos com o auxílio das folhas. Sua importância é tão abrangente dentro da religião que nenhuma cerimônia pode ser praticada sem a sua participação, pois sendo o detentor do àñë contido nos vegetais, todos os òrìñà dependem dele, por isso diz-se que sem folhas não tem òrìñá - Kosí ewé kosí Òrìxá
O sistema de classificação dos jêje-nagôs, que diz respeito aos vegetais, se estrutura sobre quatro elementos que esotericamente é visto como universal, Fogo, Água, Terra e Ar.
Sendo os òrìñà, representações vivas destas forças que regem a natureza, as folhas a eles atribuídos, no contexto litúrgico, associam-se, conseqüentemente, a estes elementos. Deste modo, os vegetais estão dispostos em quatro compartimentos-base diretamente relacionados aos quatro elementos da natureza,
No compartimento Fogo estão inseridas as Ewé inan(Folhas do Fogo)
No compartimento Água estão as Ewé Omí (Folhas da água)
No compartimento Terra estão as Ewé Ile (Folhas da terra)
No compartimento Ar estão as Ewé Afefé(Folhas do Ar)
Nestes quatro compartimentos-base, insere-se todo o sistema liturgico jêje-nagô. Sendo assim, cada òrìñà possui uma característica própria que é transmitida ao seu iniciado, o que possibilita identificar, através do arquétipo humano, seus pais míticos, ou seja, qual o òrìñà que rege a pessoa. Deste modo temos:
Orixás relacionados ao Fogo: Exu Xangô e Oiá
Orixás relacionados a Água: Yemanjá, Oxún, Oba, Oiá, Ewá, Oxumaré, Nàná, Oxosi, Òxàlá
Orixás relacionados a Terra: Osanyin, Ògún, Oxosi, Omolu
Orixás relacionados ao Ar: Òxàlá, Oxumaré e Oiá.
A divisão do óríxá em caminhos (qualidade) faz com que estes pertençam a mais de um compartimento. Ex.: Exù que se relacionam com todos os orixás; Ògún e Oxosi que vivem na água; Oiá que possui caminhos de fogo, água, mato; Oxumaré que transita entre o céu, a terra e as águas etc.

Os vegetais se dividem, também, dentro de um sistema binário, em
Masculinos e Femininos que são determinadas pela forma de suas folhas:
Folhas alongadas ou que possuem forma fálica são masculinas.
Folhas arredondadas ou que possuem forma uterina são femininas.
(As folhas consideradas masculinas estão associadas aos orixás masculino, bem como as femininas, aos orixás femininos, todavia, aventualmente encontraremos algumas folhas femininas usadas para orixás masculino e algumas masculinas utilizadas para as ìyába, o que reflete a própria relação familiar dos orixás masculinos com femininos e vice versa. Como exemplo vemos que, sendo Ògún filho de Yemanjá, as folhas femininas usadas para esta ìyába é freqüentemente usada para este orixás e vice versa.
Dentro, ainda de uma visão binária, os jêje-nagô consideram, ainda que as folhas podem estar posicionadas no lado direito - Ewé apa otun -, que é masculino e positivo em oposição ao esquerdo - Ewé apa osí - que é feminino e negativo.
Os compartimentos que contem as ewé inan (folhas do Fogo) e ewé Afeefe (folhas do Ar) estão associados ao masculino, elementos ativo e fecundantes.
As ewé omí (folhas da Água) e as ewé Ilé (folhas da Terra) se ligam ao feminino, elementos passivos e fecundáveis.
Todavia, essa não é uma condição “sine qua non” quando analisamos mais detalhadamente a utilização dos vegetais, pois, percebemos que algumas folhas positivas se relacionam com o lado esquerdo ou feminino e vice-versa, daí, encontrarmos folhas femininas usadas com fins positivos e folhas masculinas consideradas negativas. Verger (1995:25) cita, pôr exemplo, “que entre as folha há quatro conhecidas como (...) as quatro folhas masculinas (pôr seu trabalho maléfico)...; e quatro outras tidas como antídotos...”. Entre estas últimas êle inclui o òdúndún (Kalanchoe crenata), que é uma folha feminina, porém, positiva, o que nos faz crer que as diversas condições binárias não interagem de modo rígido entre si, mas sim transitam dinamicamente de um lado para o outro, pois, como vimos, uma folha masculina pode estar situada junto aos elementos da esquerda pôr ser considerada negativa e vice-versa.
De grande importante, também, na classificação dos vegetais são as condições binárias gún (de exitação) x éró (de calma), pois, são aspectos das folhas, que dão equilíbrio às misturas vegetais, quando bem dosadas de acordo com a situação de cada indivíduo. Os vegetais considerados gún estão ligados aos compartimentos Fogo ou Terra, enquanto que, os considerados éró, relacionam-se com os da Água ou Ar. Estas condições são interpretadas corriqueiramente pelas pessoas do candomblé como fria (eró) ou quente (gún).
Quando utilizadas nos rituais de iniciação ou nos trabalhos litúrgicos, os vegetais classificados como éró em a função de abrandar o transe, apaziguar ou acalmar o òrìñà, contrariamente, os considerados gún servem para facilitar a possessão e excitar o òrìñà.
Os vegetais gún e éró são identificados, normalmente, segundo seu nome ou sua finalidade:
Ex: Tîtî (folhas fresca) eró
Rinrin (folha úmida) eró
Pèrègún (Provoca o transe) – gún
Tîtîrîgún (Que produz transe) – gún
Iroko (Produz calma) eró
Ewé ina (Folha de fogo) gún

È importante notar que o ofó (encantamento) é que determina a função da folha, pois, embora exista todo um sistema classificatório para os vegetais, cada folha traz em si a função a qual ela se destina. Como exemplo: Peregún que no seu ofó é considerado o senhor da maldição, tem a finalidade de retirar maldições das pessoas. Ewuro, a folha amarga, tem por função retirar o amargo da vida. Teté, Rinrin e Odundun são folhas calmantes mas, também, com função de atrair prosperidade para seus usuários.


“Ewé njé Oògún njé Oògún tikò jé Ewé re í kò pé”

“As folhas funcionam. Os remédios funcionam. Remédio que não funciona é porque faltam folhas”.

INTRODUÇÃO

O homem, desde o primitivo, sempre foi dependente do mundo vegetal. As plantas são vitais para ele, sem elas a espécie humana não existiria. O homem precisa principalmente, do oxigênio produzido pela plantas para sobreviver.
Observando a natureza o homem descobriu as diversas utilidades dos vegetais. Passou a utilizá-los como alimento, remédio, proteção contra as intempéries (cobertura de casa – sapê – confecção de tecidos etc.) Como alimentos as plantas são fontes de vitaminas, proteínas e sais minerais indispensáveis para a manutenção da vida. Como remédio possuem principio ativo na cura de doenças.
Os Jeje-Nàgó, oriundos do sudeste africano, até hoje, utilizam os vegetais não apenas como alimento e remédio para o corpo, mas, também, para o espírito, daí, sua utilização nos rituais, para prover o bem estar pessoal ou coletivo, cortar magia negativa, afastar o sobrenatural maléfico, atrair sorte e prosperidade, pedir proteção das divindades, provocar transe ou entrar em contato com o mundo sobrenatural.
Com a diáspora Africana, ou melhor, com a vinda de negros africanos, aprisionados como escravo, para a América, estes trouxeram seus rituais e sua visão do mundo vegetal para o “Novo Mundo”. Foram diversos os grupos etnicos que aqui aportaram em levas sucessivas. Primeiro o Grupo Banto nos séculos XVI (Negros da Guiné) e XVII (Negros de Angola). Depois chegaram os Jeje-Nàgó nos séculos XVIII e XIX (Negros da Costa-do-Marfim e do Dahome), inclusive durante o período de proibição do tráfico entre 1816 e 1850.
A chegada dos Jeje-Nàgó no continente americano ocorreu principalmente entre os anos de 1770 a 1850 em decorrência das guerras de conquista e as quedas dos reinos de Öyö e Kétu (a partir de 1789) com o ataque do rei de Abomey, capital do Dahome, a este dois reinos. Este rei, aliado dos colonizadores europeus, forneceu grandes contigentes de escravos que foram trazidos para a América.
Os Jeje-Nàgó ao chegarem no novo continente, se depararam com uma flora tropical muito parecida com a de seu país de origem, porém, as espécies vegetais em sua maioria lhes eram desconhecidas. Surgiu a necessidade de utilizar em seus rituais plantas brasileira com características semelhantes às africanas, então algumas espécies foram substituidas, tais como:
Iroko = Chlorophora excelsa por Ficus doliaria (Gameleira branca)
Amúnimúyè = Senecio abssinico por Centratherum punctatum (balainho de velho)
Osun = Pterocarpus osun por Bixa Orellana (urucum)

Também, espécies asiáticas e africanas foram trazidas por europeus, para fins comérciais, desde o sec. XVI, e, por escravos libertos ou alforriados, que retornaram a África e voltavam fazendo comércio.

Da Ásia vieram espécies como:
- Jaqueira (Artocarpus integrifolia L.) Comércio
- Mangueira (Mangifera indica L.) Comércio.
- Tamarineira (Tamarindus indica L.) Comércio.
- Figueira dos pagodes (Ficus reigiosus L.) Urbanização.
- Bambu (Bambusa vulgaris Schrad.) Urbanização.
- Manjericão (Ocimum sp.) – Condimento/remédio e litúrgia.
- Melão de São Caetano (Mormodica charantia L.) Remédio e liturgia.
- Algodão (Gossypium barbadenses L.) Comércio e liturgia.
- Erva doce (Pimpinela anisun L.) Comércio.
- Tangerina (Citrus nobilis Lour.) Comércio.
- Gengibre (Zingiber officinale Roscoe) Comércio

Os africanos trouxeram:
- Dendezeiro (Elaeis guineensis L.) – Comércio.
- Mamona (Ricinus communis L.) – Comércio.
- Melancia (Citrullus vulgaris schrad.) Comércio
- Inhame ( Dioscorea sp.) – Comércio
- Quiabo (Hibiscus esculentus L.) – Comércio.
- Obí (Cola acuminata Schrad & Endl.) Liturgia.
- Orógbó (Garcinia cola Heckel) Liturgia
- Àrìdan (Tetrepleura tetraptera Taub.) Liturgia.
- Palha da costa, rafia natural (Raphia vinifera P. Beauv.) Liturgia
- Rinrin (Peperomia pellucida (L.) Kunth.) Liturgia.

Também, espécies americanas foram levadas para a África por comerciantes e negros alforriados, dentre elas temos:
- Batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Poir. & Lam.) – Comércio.
- Caju (Anacardium occidentalis L.) - Comércio.
- Fumo (Nicotiana tabacum L.) – Comércio.
- Goiaba (Psidium guajava L.) - Comércio.
- Milho (Zea maiz L.) - Comércio.
- Tomate (Lycopersicum esculentum Mill.) – Comércio.
- Erva-guiné (Petiveria alliaceae L.) – Medicinal e ritual.
- Erva-tostão (Boerhavia difusa L.) – Medicinal e ritual.
- Erva-de-São-João (Ageratum conyzoides L.) – Ritual.
- Vassourinha-doce ( Scoparia dulcis L.) - Ritual
- Língua de vaca (Talinun triangulare (Jacq.) Willd.) – Ritual.

Alguns vegetais de origem européia foram introduzidas por afro-descendentes nos rituais os mais comuns são:

- Arruda (Ruta graviolens L.) que no século 1, Plínio indicava como preservativo da resseca, antídoto contra picada de escorpião, aranhas e insetos. Os gregos e romanos usavam para evitar maus negócios e como proteção contra o sobrenatural. Os ingleses diziam que a arruda simbolizava o arrependimento e sua flor era a “flor do desgosto”. Trazida de Portugal para o Brasil, sempre foi usada contra negativismo e olho grande. Seus galhos eram vendidos pelos escravos como sortilégio.
- Alecrim (Rosmarinus officinalis L.). Plínio dizia que possuía o odor do incenso. Na idade média (1481) era o símbolo da recordação e da fidelidade no casamento. Na linguagem das flores significa saudade. Nos rituais de umbanda é uma das ervas da jurema utilizada em defumação e banhos.
- Jureminha/Agnocasto (Vitex agnus castus L.) Dioscorides (Sec. I) Indicava misturada ao vinho para provocar a menstruação e a lactose na mulher. No homem, “desseca o esperma” obscurece o cérebro e dá vontade de dormir. Na idade média era usada nos mosteiros a título de peitoral, porém, funcionava mesmo era como anafrodisíaco. Na umbanda é chamada de jurema ou jureminha e utilizada nos amacis de caboclos. No candomblé é utilizada por ocasião da iniciação como anafrodisíaco para homens.